Buscar
  • Jaqueline Costa

Não sei se é verdade, na dúvida repassando...

Ninguém gosta de ser enganado. A busca pela verdade faz parte da natureza e essência do ser humano. Foi através da curiosidade e sede do saber que foi construído o mundo da forma como o conhecemos hoje.

“Todo homem deseja naturalmente saber” disse Aristóteles.


Ao exercer esse ato natural, muitos estão negligenciando o que é tão importante quanto a informação em si, a fonte do saber. O acesso à informação nunca foi tão fácil e rápido e, mesmo assim, muitos se deixam enganar facilmente aceitando afirmações distorcidas como verdadeiras, mesmo podendo checar em poucos cliques.


Estamos assistindo a quantidade superar a qualidade da informação. Somos bombardeados por novas e numerosas informações a todo o momento. É impossível checar a veracidade de todas elas.

Precisamos desenvolver senso crítico e questionar a veracidade do que foi apresentado. As famosas fake news têm uma característica em comum muito marcante, causam entusiasmo ou indignação extremos no interlocutor, a depender do teor da mensagem. Este quer, rapidamente, repassar a “informação” para dividir ou alertar aos demais.


Quando repassamos, o desejo é proteger o outro, alertar, prevenir. A intenção é boa, mas as consequências de disseminar o que não é verdadeiro podem ser catastróficas.


Ao perceberem que muitas das informações que circulam nas redes são inverídicas, uma forma interessante que passou a ser utilizada para se isentar da responsabilidade de disseminar mentiras, é enviar juntamente o recado “Não sei se é verdade, na dúvida estou repassando...”


Na dúvida, não ultrapasse. Ops! Não repasse! Aqui, também, vale a máxima da prudência. É melhor que alguém não receba a informação, do que correr o risco de ser enganado.


Fake News induzem ao erro e, por portarem conteúdo que, na maioria das vezes causa indignação, lança nas pessoas mais um sentimento ruim, mais ódio. Já temos que carregar uma bagagem com tantos outros fardos reais. Imprudentemente, empacotamos mais um peso e, o pior, desnecessário.


Os prejuízos podem ser irreparáveis. Chegamos ao extremo de divulgação de fotos de pessoas inocentes associadas a crimes terríveis. Vimos pessoas serem mortas por terem sido associadas a barbaridades para, posteriormente, vir à tona a verdade de que se tratava de vingança.


Felizmente, temos alternativas simples para verificação, há sites especializados em desmascarar informações mal intencionadas. Outra forma de nos proteger é buscar na fonte, em sites oficiais, nos perfis das redes sociais, das pessoas ou instituição atingidas.


Vivemos recentemente um momento em que as fake news se revelaram ameaças nas campanhas eleitorais. Tudo isso comprometeu também as informações verdadeiras. Existem empresas especializadas em lançar notícias falsas para se tornarem virais.


Podemos e devemos fazer melhor uso das ferramentas que estão ao nosso alcance. Nos reeducar é essencial. Conquistamos a liberdade de possuir informações de outras fontes, além dos meios convencionais de comunicação, como alternativas de evitar a manipulação. Porém, essa liberdade se transformou em uma armadilha que é robustecida por todos nós, ao fazermos mau uso dela. É preciso que tenhamos educação digital, conscientização na utilização adequada de redes sociais.


É sempre bom desconfiar:

  • Contem erros ortográficos e gramaticais?

  • A informação é extremista? Boa demais ou ruim demais?

  • Súplica para compartilhar?

  • Sem data?

O auxílio reclusão é vítima de informação manipulada que teve uma repercussão espantosa. Há tantas versões e distorções que é difícil listar todas.


Para desmistificar alguns, o benefício não é pago por nós. Apenas a família de quem contribuiu para o INSS, anteriormente, à reclusão, terá direito. Ou seja, o benefício foi custeado pelo próprio detento enquanto estava livre e trabalhando. O recebimento não depende da quantidade de filhos e há outros fatores e condições para a manutenção do benefício.


Para orientação de como desmistificar esse equívoco, deixo aqui o site oficial do INSS para que você crie o hábito de buscar na fonte: https://www.inss.gov.br/beneficios/auxilio-reclusao/


Se o benefício deve existir entre todos os outros oferecidos pelo INSS ou não, é outra história, outra discussão. Porém, já custeado foi adquirido o direito e deve ser pago.


Outra vítima relacionada à previdência diz respeito à regra 85/95 proposta, em 2015, no governo Dilma. A fórmula é uma alternativa para pessoas que, ao somarem a idade e tempo de contribuição, resultando em 85 para mulheres e 95 para homens, recebam a aposentadoria integral, sem incidência do fator previdenciário, que pode reduzir o benefício. Os outros tipos de aposentadoria não sofreram alterações. Uma vantagem que foi distorcida e propagada como vilã, chegando ao absurdo de afirmarem que a seria necessário a mulher ter 85 e o homem 95 anos de idade para se aposentar. Vemos aqui o exagero, o tom de indignação e tudo o mais que uma fake news carrega. Quem é o verdadeiro prejudicado nessa situação?

Estamos aguardando a apresentação do projeto de reforma da previdência social. É de extrema urgência e importância que ela se concretize para preservar a sustentabilidade do sistema. Caso não concretizada, é a possibilidade de recebimento da nossa aposentadoria que está em jogo. Vamos ficar atentos, é hora de nos informarmos e acompanharmos o processo munidos com a verdade para não prejudicarmos a nós mesmos!

0 visualização

©2018 Atest Consultoria Atuarial