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Reforma da previdência: estamos preparados?

Nos últimos dois anos uma importante discussão na esfera política foi a reforma da previdência, devido ao grande problema fiscal que causa nas contas públicas. Assunto que também deveria ser debatido entre a população economicamente ativa, pois se trata da segurança econômica futura e manutenção da qualidade de vida pós-laboral, sendo assim, uma questão social.


A reforma da previdência deveria ter sido ponto de destaque nas propostas dos candidatos à presidência da República, por se tratar de uma pauta que afeta a parte social e econômica do país, porém não foi o que se observou. Poucos candidatos aprofundaram, em seus planos de governo, em uma proposta que solucione o problema fiscal e mantenha o caráter social da previdência. Qual o nível de conhecimento da população a respeito de previdência, para que este assunto se torne motivo de preocupação e discussões?


Nas propostas de alguns presidenciáveis foi citado o regime de capitalização para financiamento da previdência. Este regime é baseado na acumulação de recursos em contas individuais durante o período laboral visando um saldo de contas suficiente para a aposentadoria após este período. Houveram propostas que além do saldo de conta individual, garantiam um beneficio mínimo baseado no atual regime de repartição, porém para manter o nível de renda conquistado no período laboral o trabalhador deveria busca-lo através das contribuições para a conta individual do regime de capitalização.


De acordo com a Nota Técnica nº 43/2017 “Perfil dos Contribuintes para a Previdência Privada” do IPEA, 2,2% dos trabalhadores ocupados com 18 anos ou mais e com renda de até o teto do INSS, possuem um plano de previdência privada. Este percentual aumenta para 19,8% para os que recebem acima do teto do INSS, ou seja, os outros 80,2% destes trabalhadores terão uma queda na renda após a aposentadoria. Será que sabem ou estão preparados para isso? Nesta mesma pesquisa observou-se um aumento de 3% para 3,4% entre 2004 e 2015, no percentual de ocupados com a contribuição para a previdência privada.


Outra pesquisa realizada pela Datafolha em 2017 apresenta que só 10% dos entrevistados na pesquisa têm planos de previdência privada. Nesta mesma pesquisa apurou-se que 5% dos que possuem previdência privada concluíram o ensino fundamental e 4% ganham abaixo de dois salários mínimos.


Diante destes resultados percebe-se que o brasileiro possui baixo conhecimento a respeito do funcionamento e importância da previdência. Dentre vários motivos, destaca-se o atual desenho da previdência social, que garante que o valor do beneficio da maioria dos segurados seja quase 100% do salário e do consumo imediato de bens e lazer. Portanto, para implementação de um regime no qual a maior parte da renda da aposentadoria será da responsabilidade do trabalhador deverá ser realizado um programa bem estruturado de educação financeira e previdenciária com a população brasileira para que, futuramente, esta mudança não se torne um grande problema social.

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